Saiu Bonetti, entrou na superintendência, Eudério Coelho, atual
comandante da instituição. A figura de Eudério seria a mais frágil de
todos os superintendentes levando em consideração a escala de poder do
grupo que aparelha o Incra, da tendência PT para Valer.
“O monopólio que o PT exerce na direção do Incra só trouxe prejuízo
aos camponeses, e só trouxe poder ao grupo ao qual o Incra está
submetido. Todos os superintendentes da instituição nos últimos anos só
trabalharam para obter como resultado final a eleição de prefeitos,
vereadores e deputados”, denuncia Charles Trocate do Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
As últimas declarações e atos de Eudério ilustram o cenário. Em nove
de junho deste ano, em reunião com a coordenação do MST, após ocupação
da fazenda de Rafael Saldanha em Marabá, onde 40 pistoleiros atacavam as
famílias acampadas, o superintendente afirmou: “lavo as mãos e não
atuarei contra o latifúndio no Pará”.
Na mesma ocasião disparou na imprensa nacional a favor do fazendeiro.
“Inspecionamos as duas áreas recentemente e verificamos que elas não
têm problemas”.
Além do mais, demonstrou a prévia negociação com o fazendeiro. “Vamos
pedir que os Sem Terra deixem as duas fazendas. Eles saindo, vamos
procurar conversar com os donos e verificar se eles têm interesse em
vendê-las, pois não podemos simplesmente desapropriá-las”, declarou
Coelho.
Semanas depois, um laudo do Instituto de Terras do Pará (Iterpa),
comprovava que as terras ocupadas pelo MST eram griladas, improdutivas e
com crimes ambientais, já que se tratava de área de concessão de
afloramento, jamais podendo ser destinada para pasto, por ser uma zona
de castanhal.
A defesa publicamente de Eudério a favor do fazendeiro, revelaria,
inclusive, à inoperância de Delegacia de Conflitos Agrário de Marabá
(Deca), que negou investigar a investida de pistoleiros contra os
acampados das fazendas de Saldanha.
Comportamento que se repetiu com os acampados da Fazenda Gaúcha.
Mesmo após inscrever 11 ocorrências de Jair e da comissão coordenadora
das famílias do acampamento, a última em agosto desse ano, denunciando a
ameaças de mortes deferidas constantemente pelo gerente Neném, nada
fez.
No enterro de Jair (foto), um agricultor, que prefere não ter sua
identidade revelada, desabafava. Para ele a arma que matou o amigo e o
tratorista é manipulada por muita gente. “Quem aperta o gatilho para
matar trabalhador rural no sul e sudeste do Pará é o PT pra Valer, é o
Incra, é a Deca, é o fazendeiro empresário que grila terras e a justiça
sempre morosa e a favor do latifúndio”, define.
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